Foto: Ricardo Stuckert /PR e White House/Divulgação
Por Consórcio de Imprensa de Mato Grosso
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto, desencadeou uma forte reação por parte do governo brasileiro. No entanto, a postura combativa adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe tem gerado preocupação entre especialistas e representantes do setor empresarial, que temem prejuízos econômicos e um agravamento da crise diplomática.
O presidente Lula classificou a tarifa norte-americana como “chantagem inaceitável” e já sinalizou que responderá com firmeza, incluindo a possibilidade de medidas de retaliação. Em declarações recentes, Lula chegou a afirmar que uma “guerra tarifária vai começar na hora em que eu der a resposta ao Trump se ele não mudar de opinião”. Essa retórica, embora demonstre uma firmeza na defesa dos interesses nacionais, preocupa parte do mercado.
A dez dias da entrada em vigor das novas tarifas, o clima de incerteza sobre as consequências das sanções impostas pela administração de Donald Trump aumenta. O governo brasileiro busca o diálogo com os EUA, mas não descarta a aplicação da Lei da Reciprocidade, regulamentada na semana passada. Essa possibilidade, no entanto, desagrada o setor empresarial.
Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), expressou receio com a escalada da tensão. Segundo ele, um confronto direto com os Estados Unidos, caso não haja um entendimento mútuo, “seria um desastre total”. Cotait defende a priorização do diálogo e ressalta que grandes empresas brasileiras já estariam em negociação com o governo americano para mitigar os impactos.
O representante empresarial também apontou uma possível falha na atuação governamental. “O governo demorou muito para poder atuar. Essa história da tarifa vem desde abril. Tem muita troca de correspondência que não é pela via oficial, o que retarda os entendimentos”, comentou Cotait, sugerindo que uma abordagem mais proativa e formal meses atrás poderia ter evitado a situação atual.



