Polícia mira facção que treinava integrantes para ataques armados e cumpre 28 ordens judiciais em sete cidades de MT

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Operação Ruptura revela estrutura criminosa com tráfico de drogas, controle de territórios, movimentações financeiras e preparação de integrantes para confrontos violentos contra organizações rivais.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15 de outubro), a Operação Ruptura para desarticular uma célula de facção criminosa investigada por tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa. Segundo as investigações, o grupo utilizava Rondonópolis como base para promover treinamentos destinados a preparar integrantes para ataques armados contra facções rivais.

A ofensiva policial mobilizou equipes em sete municípios de Mato Grosso para o cumprimento de 28 ordens judiciais, sendo oito mandados de prisão preventiva, 11 de busca e apreensão e nove medidas cautelares diversas da prisão.

As diligências são realizadas em Rondonópolis, Mirassol d’Oeste, Querência, Tangará da Serra, Jaciara, Colniza e Arenápolis. A operação é coordenada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, com apoio de unidades regionais da Polícia Civil e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

A investigação teve início em setembro de 2025, após uma abordagem policial realizada na BR-364, no município de Jaciara. Durante a fiscalização, ocupantes de um veículo revelaram que estavam seguindo para Rondonópolis, onde participariam de um treinamento promovido por integrantes de uma organização criminosa.

A informação chamou a atenção dos investigadores porque o treinamento não estaria relacionado apenas à atuação no tráfico de drogas. Conforme a Polícia Civil, o objetivo seria preparar integrantes da facção para ações violentas contra grupos rivais, ampliando a capacidade de confronto e a atuação da organização em diferentes municípios do Estado.

A partir da abordagem, os policiais conseguiram autorização judicial para o compartilhamento de elementos de prova e para a análise de informações extraídas de aparelhos celulares apreendidos.

O material permitiu identificar uma estrutura criminosa com integrantes responsáveis por diferentes funções, incluindo comercialização e distribuição de entorpecentes, arrecadação de valores, controle territorial de pontos de venda e articulação entre membros espalhados por diversas regiões de Mato Grosso.

De acordo com a delegada Anna Paula Marien, responsável pelas investigações, Rondonópolis funcionava como uma base de apoio para as atividades do grupo, inclusive para a realização dos treinamentos. A apuração identificou ainda conexões entre os investigados e integrantes da organização que atuavam na região de Mirassol d’Oeste.

“As análises indicam a prática de comercialização e distribuição de entorpecentes, controle territorial de pontos de venda, divisão de valores arrecadados e cobrança de contribuições vinculadas ao grupo criminoso”, explicou a delegada.

Entre os materiais analisados estão conversas mantidas pelos suspeitos, fotografias, comprovantes de transferências bancárias e registros de controle financeiro das atividades ilícitas.

Essas informações permitiram aos investigadores reconstruir parte da dinâmica de funcionamento do grupo, incluindo a circulação de drogas, a distribuição do dinheiro arrecadado e os contatos mantidos entre integrantes de diferentes municípios.

A Polícia Civil também apura como os membros da facção eram mobilizados para participar dos treinamentos e de que maneira a organização estabelecia suas estratégias de atuação territorial.

A identificação de uma estrutura voltada à preparação de integrantes para confrontos armados ampliou o alcance da investigação, que inicialmente partiu de uma abordagem rodoviária e passou a revelar conexões entre suspeitos de diferentes regiões.

Com o cumprimento das ordens judiciais nesta quinta-feira, os investigadores buscam interromper a atuação da célula criminosa, enfraquecer sua estrutura operacional e financeira e impedir a mobilização de integrantes para eventuais ataques contra organizações rivais.

As buscas também têm como finalidade localizar documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a participação individual dos investigados e identificar possíveis novos envolvidos.

A operação conta com a participação de policiais civis de Rondonópolis e apoio das delegacias regionais de Cáceres, Água Boa e Tangará da Serra, além do suporte operacional do Ciopaer.

Até a divulgação das informações iniciais, a Polícia Civil havia confirmado a expedição das oito ordens de prisão preventiva, mas não apresentado um balanço definitivo sobre quantos investigados foram efetivamente presos durante a operação.

A ofensiva representa mais uma etapa das investigações contra organizações criminosas que disputam o controle do tráfico de drogas em Mato Grosso. O trabalho policial prossegue com a análise dos materiais apreendidos e a identificação das conexões entre os integrantes da célula investigada.

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