Novo relatório enviado ao STF mantém conclusão anterior e será analisado pela Procuradoria-Geral da República
Por Suzana Agnello
Foto Reprodução
A Polícia Federal encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes um novo relatório no qual reafirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro não interferiu em investigações da corporação durante seu mandato. Esta é a segunda vez que a instituição chega à mesma conclusão no âmbito do inquérito aberto para apurar suspeitas levantadas em 2020.
A investigação teve início após acusações do então ministro da Justiça, Sergio Moro, que deixou o cargo alegando pressão para mudanças na direção-geral da PF com o objetivo de obter acesso a informações sigilosas envolvendo familiares e aliados políticos do presidente.
Na época, o caso foi conduzido pelo ministro Celso de Mello, que tornou público o vídeo de uma reunião ministerial em que Bolsonaro cobrava acesso a informações da corporação. Apesar da repercussão, medidas como a apreensão do celular do então presidente foram negadas.
Com a aposentadoria de Celso de Mello, Alexandre de Moraes assumiu o inquérito. Ainda em 2020, o ministro barrou a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para o comando da PF, apontando possível desvio de finalidade com base nas declarações de Moro.Em 2022, a então vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, solicitou o arquivamento do caso com base no primeiro relatório da Polícia Federal, que já não identificava indícios de interferência. No entanto, o inquérito foi mantido aberto.
A investigação foi retomada após pedido do atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, levando à elaboração de um novo relatório, entregue no início de abril. No documento, o delegado responsável aponta que não foram encontradas evidências de ingerência nas apurações, incluindo aquelas relacionadas aos chamados inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, conduzidos diretamente pelo Supremo Tribunal Federal.
Depoimentos colhidos ao longo da investigação também reforçam essa linha. O ex-diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, afirmou que determinadas investigações não passavam pela estrutura administrativa da corporação, o que inviabilizaria qualquer interferência por parte do então presidente.
O inquérito segue aberto no Supremo Tribunal Federal. O relatório mais recente foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República, que deverá se manifestar sobre os próximos passos do caso.



