Proposta envolvia desistência de candidatura presidencial em troca de apoio no Paraná, mas versões divergem entre aliados
Por Suzana Agnello
Foto Reprodução
A articulação que antecedeu a aliança entre o Partido Liberal e o senador Sérgio Moro revelou um movimento estratégico mais amplo nos bastidores da política nacional. Antes de consolidar o acordo, o partido buscou entendimento com o governador do Paraná, Ratinho Junior.
Segundo relatos de aliados, a proposta foi apresentada pelo senador Rogério Marinho. A ideia era que Ratinho Junior abrisse mão de uma eventual candidatura à Presidência da República em troca do apoio do PL ao seu grupo político no Paraná, incluindo a possibilidade de indicação do vice em sua sucessão estadual.
A resposta do governador, conforme interlocutores próximos, foi cautelosa. Ratinho Junior teria argumentado que não poderia tomar uma decisão dessa magnitude sem o aval do seu partido, uma vez que ainda não havia definição oficial sobre sua candidatura nacional.
A partir desse ponto, as versões divergem.
Fontes ligadas ao PL afirmam que o governador não demonstrou interesse no acordo, o que teria levado o partido a avançar em outras frentes. Já aliados de Ratinho Junior sustentam que houve precipitação por parte da sigla, que teria antecipado movimentos ao propor a filiação de Sérgio Moro sem esgotar as negociações.
Nos bastidores, outro fator ganhou peso na decisão do governador: a pressão familiar. De acordo com apurações, esse elemento teria sido determinante para que Ratinho Junior recuasse de forma definitiva da possibilidade de disputar a Presidência da República.
Com o cenário redesenhado, o governador deve agora concentrar esforços na sucessão estadual. A expectativa é de que até o próximo sábado anuncie qual candidato irá apoiar no Paraná, movimento que tende a reorganizar as forças políticas no estado.
O episódio expõe não apenas a disputa por alianças, mas também o grau de complexidade das articulações pré-eleitorais, onde decisões estratégicas passam por negociações partidárias, interesses regionais e fatores pessoais — muitas vezes decisivos no rumo das candidaturas.



