Por Anderson Alexandre 3156/MT
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso se tornou palco de um embate político em torno da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o feminicídio no estado. A deputada estadual Edna Sampaio (PT), proponente da CPI, expressou frustração com a contraproposta do governo, que sugere uma comissão especial, e denunciou a falta de poder para garantir a aprovação da investigação.
Em conversa com o secretário de governo e deputado federal Fábio Garcia, Sampaio foi informada da preferência do executivo por uma comissão especial. “Eu disse para ele que se não conseguíssemos avançar na CPI, o importante é que a gente lance mão das ferramentas que a gente tem”, declarou a deputada, que está em seu segundo mês de mandato. Sampaio enfatizou a disparidade de poder na Casa: “Eu não tenho poder algum. Então são os homens que detêm o poder de decidir se vai ou não querer uma CPI que investigue as causas institucionais e a responsabilização do poder público em todas as esferas em relação à proteção da vida das mulheres.”
A deputada petista, embora sensível à argumentação governista, ressaltou que a CPI visa o fenômeno social e não um ataque direto ao governador ou ao governo estadual. “A CPI é sobre o fenômeno social”, frisou Sampaio.
O presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (UB), demonstrou abertura para a alternativa governamental. “A CPI seria bom, mas a comissão também pode dar bons resultados, então é isso que nós vamos ver agora, se a decisão da Edna foi concordar com a comissão, beleza, vamos trabalhar em cima dessa comissão”, afirmou Botelho, que já liderou uma câmara setorial temática sobre o tema.
A deputada Sheila Klener (PSDB) apoiou a busca por soluções, independentemente do formato. “Já que a gente não conseguiu através da CPI, nós vamos buscar outros caminhos, assim como a comissão, uma comissão, uma câmara temática ou até mesmo a frente parlamentar”, disse Klener, destacando a necessidade de um diagnóstico preciso para combater o feminicídio.
Ao ser questionada sobre uma possível influência do governador Mauro Mendes na não aprovação da CPI, nos moldes do que teria ocorrido com a CPI da Saúde, Edna Sampaio admitiu sua inexperiência política para fazer tal afirmação. “Eu acabei de chegar agora no cenário político, eu não consigo fazer ainda, eu não fui a fundo, eu não participei da criação da CPI, mas eu espero que em algum momento eu consiga entender o que realmente houve”, declarou, buscando compreender as dinâmicas políticas que cercam a criação de investigações na Assembleia.



