Comando Vermelho divulga áudios que atribuiriam a PMs confissão sobre desvio de drogas

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Áudios, mensagens e publicações atribuídas ao Comando Vermelho acusam policiais militares de desviar drogas apreendidas; Polícia Civil investiga tanto os crimes praticados pela facção quanto a veracidade das denúncias de corrupção

Manaus viveu mais um capítulo da escalada da violência nesta quarta-feira (15), após a divulgação de uma série de áudios, mensagens e publicações atribuídas à facção Comando Vermelho (CV), que acusam policiais militares das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (ROCAM) de participarem de um suposto esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas.

O material, que circula amplamente nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, também relaciona as denúncias à execução de um homem no Ramal da Suzuki e ao ataque a tiros contra a residência de um policial militar, episódios que passaram a ser investigados pelas autoridades.

Segundo o conteúdo divulgado pela facção, policiais teriam se apropriado de parte de uma carga de entorpecentes interceptada durante uma ação policial. Em um dos áudios atribuídos a um integrante da ROCAM, o homem afirma que a droga teria sido dividida entre os agentes envolvidos e relata detalhes da suposta operação, incluindo o transporte do caminhão utilizado para carregar o material.

Ainda de acordo com o áudio, o policial teria tentado negociar posteriormente a venda da droga desviada com pessoas ligadas aos proprietários da carga.

As acusações, no entanto, ainda não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades e fazem parte das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas.

Execução após “tribunal do crime”

As publicações também relacionam o caso à execução de um homem encontrado morto na manhã de terça-feira (14), no Ramal da Suzuki, no Distrito Industrial II, em Manaus.

A vítima foi localizada com diversas marcas de disparos de arma de fogo. Antes da execução, criminosos gravaram um vídeo em que o homem aparece sendo interrogado sob ameaça. Nas imagens, ele afirma ter recebido uma grande quantidade de drogas que, segundo a facção, haviam sido desviadas durante uma apreensão policial.

Ao lado do corpo foi deixado um bilhete atribuído ao chamado “tribunal do crime”, indicando que a execução teria ocorrido como punição pela comercialização da droga supostamente desviada.

As declarações feitas pela vítima no vídeo também fazem parte da investigação e não foram confirmadas pelas autoridades.

Ataque contra residência de policial

Após a divulgação das acusações, criminosos também passaram a divulgar um cartaz com a fotografia de um policial militar identificado como Alexandre da Silva Magalhães, apontado pela facção como um dos envolvidos no suposto esquema.

Na sequência, a residência de um policial conhecida como pertencente a Dantas Magalhães, localizada no bairro Jorge Teixeira, zona leste da capital amazonense, foi alvo de um intenso ataque a tiros.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram homens armados efetuando dezenas de disparos contra o imóvel durante a ação criminosa. Não há informações de feridos.

Nas publicações, integrantes da facção afirmam que o volume de drogas supostamente desviado chegaria a quatro toneladas e chegaram a oferecer recompensas por informações sobre policiais citados nas mensagens. Essas alegações também são investigadas e não possuem confirmação oficial.

Polícia investiga duas frentes

O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) realizou perícias tanto no local da execução quanto na residência atingida pelos disparos.

A Polícia Civil do Amazonas informou que conduz investigações em duas linhas principais: identificar os autores da execução e do ataque armado promovidos pela facção criminosa e apurar a autenticidade dos áudios, vídeos e demais materiais divulgados, além da eventual participação de policiais militares em crimes como corrupção, tráfico de drogas e associação criminosa.

Até o momento, não houve confirmação oficial das acusações feitas pelo Comando Vermelho, e os fatos seguem sob investigação. As publicações compartilhadas pela facção são tratadas pelas autoridades como elementos que poderão auxiliar na apuração, mas não constituem, por si só, prova da participação dos policiais nos crimes denunciados.

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