Mulher de 25 anos foi localizada pela Polícia Civil e admitiu ter colocado a recém-nascida na lixeira; perícia apontou que bebê nasceu com vida
A Polícia Civil identificou a mãe da recém-nascida encontrada morta dentro de uma caixa de papelão, em uma lixeira de um condomínio de Várzea Grande. Thauany Teixeira, de 25 anos, foi localizada durante as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e prestou depoimento.
Segundo o delegado Rogério Gomes, responsável pela investigação, a equipe iniciou as diligências imediatamente após a localização do corpo da bebê. Imagens de câmeras de segurança de diferentes pontos do condomínio e da área externa foram analisadas até que os investigadores conseguissem identificar a mulher que teria feito o descarte.
“Após análise de várias imagens do condomínio e também da parte externa, nós conseguimos chegar à pessoa que descartou ali um objeto muito semelhante ao que foi encontrado lá”, explicou o delegado.
Inicialmente, Thauany negou envolvimento com o caso. Após ser intimada, porém, compareceu à delegacia e foi confrontada com as imagens. Diante dos registros, admitiu ser a pessoa que aparece nas gravações e confirmou ser a mãe da criança.
Em depoimento, a mulher afirmou que o parto ocorreu durante a madrugada, enquanto o marido dormia. Segundo a versão apresentada à Polícia Civil, ela não tinha certeza de que estava grávida e teria entrado em trabalho de parto de maneira inesperada.
Ainda conforme o relato, a bebê teria nascido aparentemente sem vida. A mãe disse que cortou o cordão umbilical, colocou a criança dentro de uma caixa juntamente com a placenta e outros materiais e levou o conteúdo até a lixeira do condomínio.
A perícia, entretanto, apresentou uma conclusão diferente.
Os exames apontaram que a recém-nascida nasceu com vida e chegou a respirar, ainda que por um curto período.
“Constatou-se que ela nasceu com vida, respirou, ainda que por um curto período”, afirmou Rogério Gomes.
O exame pericial não identificou sinais de agressão física ou asfixia. A causa da morte, contudo, ainda não foi determinada.
Uma das linhas investigativas busca esclarecer se houve ingestão ou utilização de alguma substância com potencial abortivo antes do nascimento. A mulher negou ter tomado medicamentos ou qualquer substância com essa finalidade.
O material coletado durante a investigação foi encaminhado para exames laboratoriais. De acordo com o delegado, os resultados podem levar de um a três meses, dependendo da complexidade das análises.
“Se tiver alguma substância abortiva que foi utilizada ali, vai ser constatado”, afirmou.
Thauany também concordou voluntariamente em passar por exames médicos e fornecer material biológico. Os procedimentos deverão auxiliar na confirmação da maternidade por meio de exames de DNA e na elucidação das circunstâncias do parto.
Mesmo afirmando que acreditava que a filha já estivesse morta no momento em que a colocou na caixa, a mulher deverá responder inicialmente por homicídio, segundo a Polícia Civil.
A justificativa está relacionada ao fato de a perícia ter constatado que a criança nasceu com vida. Para o delegado, a condição de mãe impunha à investigada o dever legal de buscar socorro e proteger a recém-nascida.
“Como a criança nasceu com vida, ela tinha vida. E ela, na condição de genitora e mãe, tem um dever legal, pelo Código Penal, de proteção, guarda e vigilância”, explicou.
Ainda conforme Rogério Gomes, a investigação considera que a mulher tinha condições de compreender que deveria procurar ajuda imediatamente.
“Ela saberia muito bem como proceder: chamar um socorro, chamar o Samu, chamar um vizinho. Então, por conta dessa obrigação de garantidora, ela responderá inicialmente por homicídio”, afirmou.
A classificação jurídica do caso, entretanto, poderá sofrer alterações após a conclusão dos exames complementares.
Caso os exames laboratoriais indiquem que alguma substância foi utilizada com a finalidade de provocar aborto, a Polícia Civil poderá acrescentar outra hipótese criminal à investigação.
“É claro que a tipificação penal pode ser mudada possivelmente a partir dos laudos complementares”, disse o delegado.
Os investigadores também buscam descobrir se outras pessoas tiveram participação ou conhecimento dos fatos.
Até o momento, Thauany é considerada a principal investigada. A Polícia Civil aguarda os resultados dos exames periciais e laboratoriais para definir com maior precisão a dinâmica dos acontecimentos entre o nascimento da bebê e a morte.



