Gilson da Agricultura é punido por quebra de decoro parlamentar após declarações consideradas violência política de gênero
Foto: Jovem Pan
Por Suzana Agnello
A Câmara Municipal de Pedra Preta decidiu, com oito votos a favor e dois contra, pela cassação do mandato do vereador Gilson da Agricultura, do União, devido à quebra de decoro parlamentar. O vereador havia chamado a prefeita do município, Iracy Souza, do PSDB, de “cachorra viciada” em setembro deste ano, o que levou à instauração de uma comissão processante (CPI) para investigar as denúncias.
O julgamento ocorreu na quarta-feira, 3 de dezembro, e contou com a presença da prefeita, que foi alvo das declarações. A CPI concluiu pela procedência das denúncias, o que motivou a votação final. Durante a sessão, o relator da comissão, vereador Chico Lima (PSDB), enfatizou a importância do contraditório e da ampla defesa garantidos ao vereador. O presidente da Comissão, Ediércio Machado (União), também ressaltou que seu voto não era motivado por raiva pessoal, mas por moralidade e respeito, declarando: “Meu voto é por moralidade, de respeito e da dignidade do mandato e por todas as mulheres desta cidade.”
O presidente da Câmara, Laudir Martarelo (PSB), expressou que situações como essa envergonham a casa legislativa. A gravidade das declarações de Gilson gerou repúdio entre diversos parlamentares do Estado, que caracterizaram suas palavras como uma prática de violência política de gênero. Representações foram apresentadas por figuras proeminentes, incluindo o presidente da Associação Mato Grossense dos Municípios, Leonardo Bortolim, e a deputada federal Gisela Simona (União).
Os vereadores Fernando do Gelvalino (Podemos) e Eder da Mecânica (PSB) foram os únicos a votar contra a cassação, em meio a um debate que destaca a crescente preocupação com a violência política de gênero e o respeito às mulheres na política.



