Aumento de despesas e falta de recursos comprometem a saúde financeira das prefeituras
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por Suzana Agnello
Cerca de um terço das prefeituras brasileiras estão enfrentando atrasos no pagamento de fornecedores, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM). O levantamento, que contou com a participação de gestores de 4.172 cidades, revelou que 1.202 (28,8%) das prefeituras estão com débitos em atraso. A situação gera preocupação, pois materiais de escritório, produtos de limpeza e até o cafézinho das repartições públicas estão sob ameaça.O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, atribui o endividamento crescente às despesas impulsionadas por programas federais, que não foram acompanhadas por um aumento equivalente nas receitas. Ele destaca que o número de servidores saltou de 5 milhões para 8,3 milhões, resultando em um aumento significativo da dívida previdenciária e salarial. “Estamos vivendo um momento crítico. Nunca vi algo tão alarmante quanto agora”, alertou Ziulkoski.Outro dado preocupante é que 1.293 (31%) das gestões municipais planejam transferir despesas de 2025 para 2026, sem ter recursos suficientes, enquanto 2.623 (62,9%) afirmaram que não deixarão dívidas sem orçamento previsto.O economista Samuel Dourado aponta que a situação é reflexo de uma arrecadação desigual, onde a maior parte dos impostos vai para a União. Ele observa que, apesar do aumento das obrigações financeiras dos municípios, os repasses não têm acompanhado esse crescimento, resultando em uma pressão orçamentária insustentável.Além disso, políticas como o piso salarial dos enfermeiros e o programa Mais Médicos estão entre os fatores que contribuem para o endividamento. A proposta de aposentadoria integral para agentes comunitários de saúde, aprovada pelo Senado, também preocupa os gestores, com um impacto estimado de R$70 bilhões.Apesar das dificuldades, o pagamento do 13º salário dos servidores está garantido na maioria das cidades, com 98% dos gestores afirmando que a folha salarial está em dia, em grande parte graças a um adicional de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) recebido em dezembro.



