Apagão mata 450 mil peixes no Paraná e deixa prejuízo de R$ 2,5 milhões na piscicultura

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Interrupção de 23 horas no fornecimento de energia comprometeu seis meses de produção, ameaçou contratos de abastecimento e expôs a vulnerabilidade dos viveiros à falta de oxigenação.

Uma interrupção no fornecimento de energia elétrica terminou com aproximadamente 450 mil peixes mortos em uma propriedade rural de São João do Ivaí, no Norte do Paraná. Foram 230 toneladas perdidas em menos de um dia, resultado de seis meses de criação que agora se transformam em um prejuízo milionário.

O episódio aconteceu entre 29 e 30 de setembro de 2026. Segundo o Sistema FAEP, a reposição dos animais custaria cerca de R$ 2,5 milhões, sem considerar todas as consequências comerciais e financeiras da interrupção da produção.

“O produtor rural investiu, se profissionalizou e produz com eficiência, mas nada disso se sustenta sem energia de qualidade. Na piscicultura, a falta de energia significa falta de oxigênio nos tanques e, em poucas horas, perda de animais e prejuízos financeiros na casa dos milhões de reais”, avalia Ágide Eduardo Meneguette – presidente do Sistema FAEP.

A propriedade pertence ao piscicultor Edilson Pini, cuja família trabalha há quatro décadas na atividade. Com 15 viveiros, frigorífico próprio e produção anual de aproximadamente 800 toneladas, o empreendimento abastece instituições públicas e compradores comerciais. A mortandade atingiu peixes que seriam abatidos gradualmente nos quatro meses seguintes.

Gerador falhou e família tentou salvar os peixes durante a madrugada

A sequência de problemas começou por volta das 14h de 29 de setembro. Diante da instabilidade na rede, Pini acionou o sistema de geração de emergência para manter os aeradores funcionando.

Às 20h, entretanto, o gerador apresentou uma pane. Dois motores de arranque queimaram e a placa de automação foi danificada, exigindo um conserto estimado em R$ 20 mil, conforme o relato divulgado pela FAEP.

Sem os equipamentos responsáveis pela oxigenação, o produtor, a esposa e dois funcionários passaram a noite tentando preservar os animais. A equipe recorreu inclusive ao uso de oxigênio granulado, mas a quantidade de peixes nos tanques tornou insuficientes as medidas emergenciais.

O piscicultor Edilson Pini continua registrando a morte de animais após perder aproximadamente 450 mil peixes, o equivalente a 230 toneladas de produção. O lote seria destinado ao abate nos quatro meses seguintes, período em que a propriedade deveria atender aos contratos comerciais já estabelecidos. A tragédia ameaça a continuidade de uma atividade construída pela família ao longo de quatro décadas, com produção anual de 800 toneladas, distribuída em 15 viveiros e integrada a um frigorífico próprio.

Segundo Pini, a instabilidade no fornecimento de energia é um problema antigo na região. “A qualidade da energia na região é ruim há anos. Em um dia normal, ocorre de dois a quatro picos de energia. Já houve noite com 14”, relata. A frequência das oscilações representa um risco permanente para a piscicultura intensiva, cuja sobrevivência dos animais depende do funcionamento contínuo dos sistemas de oxigenação.

Mesmo enquadrado no grupo A de consumidores, com atendimento prioritário junto à Copel, o produtor afirma ter realizado 28 tentativas de contato por WhatsApp e telefone, além de procurar diretamente representantes e técnicos da concessionária em Londrina e Ivaiporã. Para ele, a demora na mobilização das equipes agravou as consequências da interrupção. “Se a empresa tivesse mobilizado a estrutura de manutenção no primeiro dia, em vez de três dias depois, quando houve nova queda, eu não teria tido esse prejuízo”, afirma.

A energia foi restabelecida apenas às 13h de 30 de setembro, depois de 23 horas de interrupção.

O problema está na própria dinâmica da piscicultura intensiva. Os peixes dependem do oxigênio dissolvido na água para respirar. Em viveiros com grande quantidade de animais, os aeradores ajudam a manter esse oxigênio disponível. Quando os equipamentos param, a concentração pode cair rapidamente, provocando estresse, asfixia e mortalidade.

A existência de um gerador, portanto, não elimina o risco. A continuidade da oxigenação depende também do funcionamento dos equipamentos de reserva e dos sistemas de acionamento.

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