Holding de Vorcaro deve US$ 1 bilhão e aparece sem ativos nas Ilhas Cayman

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Liquidante judicial não encontrou recursos no território e aponta dificuldades para localizar documentos e patrimônio da empresa ligada ao Banco Master

A Titan Capital Holding, empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e registrada nas Ilhas Cayman, enfrenta uma dívida de aproximadamente US$ 1,064 bilhão, mas o processo de liquidação encontrou um cenário preocupante: não há dinheiro disponível no território para fazer frente aos débitos.

A situação foi apresentada nesta quarta-feira (9) durante a primeira reunião entre a Grant Thornton, responsável pela liquidação judicial da companhia, e os credores. Segundo informações divulgadas sobre o encontro, cinco credores já apresentaram comprovantes de dívidas que somam mais de US$ 1 bilhão.

A Titan tem Daniel Vorcaro como único acionista. A empresa foi utilizada para concentrar investimentos ligados ao empresário e chegou a manter uma estrutura de grande porte no Brasil, apesar de estar formalmente sediada em Georgetown, nas Ilhas Cayman. 

O relatório inicial da Grant Thornton aponta que a companhia aparentemente não possuía ativos relevantes nas Ilhas Cayman. Os principais interesses identificados estariam relacionados a participações em subsidiárias brasileiras, fundos de investimento e outros ativos associados ao grupo empresarial.

A localização do patrimônio se tornou um dos principais desafios para os liquidantes. De acordo com o relatório, documentos e registros da Titan estão principalmente no Brasil e, em grande parte, sob a guarda de terceiros.

Ex-diretores da holding, que também ocuparam cargos no Banco Master, foram procurados para fornecer informações e documentos, mas, segundo os relatos apresentados no processo, não teriam colaborado com as solicitações dos liquidantes.

Entre os credores está a Tether Investments, empresa ligada ao grupo responsável pela emissão da stablecoin USDT. A companhia cobra cerca de US$ 300 milhões da Titan em razão de um empréstimo concedido em 2025. A cobrança da Tether foi justamente o que levou ao processo de liquidação da holding nas Ilhas Cayman.

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores é a relação financeira entre a Titan e o Banco Master. Dados mencionados no processo indicam que cerca de R$ 700 milhões foram transferidos do banco para a holding por meio de cotas de fundos de investimento entre janeiro e julho de 2025.

O movimento passou a alimentar questionamentos sobre um possível esvaziamento patrimonial da empresa antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. A existência de recursos e ativos em diferentes estruturas empresariais também tornou mais complexa a tentativa de identificar e recuperar o patrimônio.

A Titan também aparece em operações envolvendo a Fictor. A holding de Vorcaro realizou um negócio de aproximadamente R$ 566 milhões relacionado a direitos creditórios de usinas de açúcar e álcool. Posteriormente, a Fictor entrou em recuperação judicial e ficou com uma dívida de aproximadamente R$ 430 milhões com a Titan, colocando a holding entre os maiores credores do processo.

Diante das dificuldades para localizar ativos e documentos, a Grant Thornton avalia inclusive a abertura de um processo de falência transfronteiriça nos Estados Unidos, com base no Chapter 15 da legislação norte-americana. A medida poderia facilitar o reconhecimento do processo de liquidação de Cayman em território americano e ajudar na recuperação de ativos e documentos eventualmente localizados nos EUA.

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