Philip Kobe, de 18 anos, encontrou barras, pepitas e milhares de moedas de ouro durante uma obra em Dendermonde; fortuna é estimada em 9 milhões de euros e origem ainda é um mistério
O que seria apenas mais um dia de trabalho durante as férias terminou com a descoberta de um tesouro avaliado em cerca de 9 milhões de euros, aproximadamente R$ 57 milhões, em Dendermonde, no noroeste da Bélgica. O achado ocorreu durante uma obra em um antigo imóvel e envolveu um estudante de 18 anos, que trabalhava na construção civil durante o verão.
O jovem, identificado como Philip Kobe, participava de uma equipe que realizava obras de terraplanagem e instalação de tubulações no imóvel localizado na rua Van Langenhovestraat, em Sint-Gillis-Dendermonde.

A equipe trabalhava na instalação de um cano para o sistema de esgoto quando precisou remover parte da fundação. Foi nesse momento que os trabalhadores encontraram objetos metálicos enterrados.
“Claro que não esperávamos encontrar ouro”, relatou Philip.
Segundo o estudante, inicialmente ninguém imaginava a dimensão do que havia sido encontrado. As primeiras peças chegaram a ser confundidas com moedas de euro.
A situação mudou quando uma pepita de ouro apareceu entre os materiais retirados da fundação.
“Primeiro achou que ‘fossem moedas de um euro’, mas depois algo brilhante chamou a atenção: ‘era uma pepita de ouro, foi aí que percebemos que era algo maior’”, contou o jovem.

O responsável pela obra, identificado como Mario, também relatou o momento de surpresa ao perceber a quantidade de ouro encontrada.
“Eles gritaram: ‘encontramos ouro!’. Fui ver e agarrei o ouro com as mãos. Continuamos a desenterrar novas moedas e barras também. Só então a ficha caiu sobre o que tínhamos encontrado. Foi uma sensação incrível”, afirmou.
O conjunto inclui dezenas de barras de ouro, pepitas e milhares de moedas, com valor estimado em aproximadamente 9 milhões de euros.
Os trabalhadores admitiram que, por alguns instantes, chegaram a pensar em ficar com o tesouro. A quantidade, porém, tornou a ideia praticamente impossível.
“Por um momento consideramos guardar o dinheiro para nós. Mas é muito dinheiro. Se fossem alguns milhares de euros, ainda seria viável. Mas nove milhões de euros, simplesmente não dá para manter isso em segredo”, explicou Philip.
Apesar de ter entregue o material às autoridades, o jovem admite que gostaria de receber uma recompensa pela descoberta.
Para a polícia local, a atitude de Philip e dos demais trabalhadores foi considerada um exemplo de honestidade, especialmente diante do enorme valor do achado.
Após a descoberta, a polícia retirou o ouro do local e colocou todo o material sob forte esquema de segurança. O tesouro foi inventariado e levado para um local secreto.
A polícia também precisou fazer um alerta diante da possibilidade de pessoas tentarem retornar ao canteiro de obras em busca de outras peças.
O local permanece isolado e oferece riscos por causa das escavações e das condições da obra.
Agora, o principal mistério é descobrir quem escondeu a fortuna e a quem ela pertence.
O imóvel onde o ouro foi encontrado teve ligação com a família Van Assche, uma antiga e rica família de produtores de cerveja da região. Uma das hipóteses levantadas é que o tesouro possa ter sido escondido por integrantes da família, mas essa possibilidade ainda não foi comprovada.
Outro detalhe chama a atenção: parte das barras encontradas possui datas de 1957 e 1960, o que enfraquece teorias de que o ouro teria sido escondido durante as guerras mundiais.
As autoridades ainda investigam a origem da fortuna e procuram identificar o legítimo proprietário.
Enquanto isso, o ouro continuará sob custódia da polícia. Pela legislação local, existe um período de até cinco anos para tentar determinar a origem e o proprietário da fortuna. Caso ninguém consiga comprovar a propriedade, a organização beneficente CAW, atual proprietária do terreno, poderá ser beneficiada.



