Irã ameaça países vizinhos que apoiarem guerra econômica de Trump

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Chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional afirma que Teerã considerará aliados de Washington como inimigos e ameaça interromper exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz

O Irã elevou o tom contra os Estados Unidos neste sábado (22) e ameaçou retaliar países vizinhos que decidirem apoiar a chamada “guerra econômica” anunciada pelo presidente americano Donald Trump. A declaração foi feita por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, em entrevista à mídia estatal.

Rezaei afirmou que os países da região que colaborarem com Washington serão considerados inimigos por Teerã. Segundo ele, o Irã poderá atingir interesses dessas nações caso elas participem da ofensiva econômica americana.

“Dizemos a todos os países ao nosso redor que não se juntem aos Estados Unidos em sua guerra econômica; caso contrário, os consideraremos inimigos”, afirmou o secretário.

O dirigente iraniano também fez uma ameaça direta envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. Segundo Rezaei, caso países vizinhos cooperem com os Estados Unidos, o Irã poderá impedir a saída de petróleo pela região e atingir outras rotas de exportação.

A ameaça aumenta a preocupação internacional em torno do Estreito de Ormuz, passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes da atual crise, cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente passava pela região.

Rezaei afirmou que o governo iraniano não pretende ampliar o conflito, mas condicionou essa postura ao comportamento dos países vizinhos.

“Não buscamos expandir a guerra, mas se os países vizinhos ao Irã cooperarem com os americanos na guerra econômica, atingiremos seus interesses”, declarou.

O secretário também ameaçou uma retaliação considerada “devastadora” contra os Estados Unidos caso o governo Trump adote novas medidas contra Teerã.

As declarações iranianas ocorreram três dias depois de Trump anunciar uma nova ofensiva econômica contra o país.

Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que pretende promover uma operação econômica de grande escala contra o Irã e impor isolamento ao país. Trump também ameaçou aplicar consequências econômicas contra nações, empresas e instituições que continuarem oferecendo apoio a Teerã.

O presidente americano classificou a iniciativa como um “Dia D Econômico” e afirmou que qualquer país que permitir que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam suporte ao Irã poderá sofrer sanções.

A medida faz parte da estratégia de Washington para aumentar a pressão sobre o governo iraniano e restringir suas relações comerciais e financeiras internacionais.

A possibilidade de restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz preocupa os mercados internacionais devido à importância da rota para o abastecimento energético.

Uma interrupção significativa no transporte de petróleo pela região poderia provocar redução da oferta global e pressionar os preços dos combustíveis. A tensão já vem afetando o mercado internacional de energia em meio ao conflito entre Washington e Teerã.

Com as novas ameaças, o Estreito de Ormuz volta a ocupar posição central na escalada entre Irã e Estados Unidos. De um lado, Washington amplia a pressão econômica; do outro, Teerã ameaça atingir países que contribuírem para o isolamento e utilizar sua posição estratégica na região para restringir o fluxo de petróleo.

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