Caso ocorreu em 2022 e foi revelado em operação que apura infiltração da facção em estruturas do poder público
Uma investigação da Polícia Civil revelou que um integrante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizou o heliponto do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, durante a gestão do então governador João Doria. O episódio ocorreu em março de 2022 e integra os desdobramentos da Operação Contaminatio.
De acordo com relatório policial, um helicóptero com o suspeito pousou no local após obter autorização em cerca de seis horas, supostamente viabilizada por meio de contatos políticos.
O passageiro foi identificado como o empresário João Gabriel de Mello Yamawaki, apontado como operador financeiro da facção. Segundo as investigações, ele teria solicitado ajuda de um então vereador para intermediar a liberação do pouso, alegando falsamente que a aeronave transportava uma delegação japonesa.
A apuração indica que o objetivo do deslocamento era ir ao Estádio do Morumbi para assistir a uma partida de futebol. O relatório classificou o episódio como “surpreendente” e destacou que o caso evidencia o alcance da infiltração do crime organizado em estruturas públicas.
A defesa de autoridades citadas nega envolvimento. O ex-governador João Doria afirmou que não tinha controle sobre o uso do heliponto, atribuição que, segundo ele, cabe a setores administrativos do governo estadual.
A Operação Contaminatio, deflagrada em 2026, investiga a atuação do PCC em administrações municipais, incluindo suspeitas de financiamento de campanhas políticas e tentativa de inserção em estruturas financeiras públicas. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diferentes cidades, além do bloqueio de bens de investigados.
Segundo a polícia, o caso reforça indícios de que a organização criminosa buscava ampliar sua influência dentro do poder público, utilizando conexões políticas e estruturas oficiais para facilitar suas atividades.



