Lula recalibra discurso e imagem diante de alta desaprovação a seis meses das eleições

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Presidente intensifica críticas à corrupção e ajusta agenda para reconectar-se com eleitores em meio à queda de aprovação apontada por pesquisa

Por Suzana Agnelo

Foto Reprodução

A seis meses das eleições que definirão sua permanência no poder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado movimentos para reposicionar sua imagem pública diante da queda nos índices de aprovação. Entre as estratégias adotadas, destaca-se a mudança no tom dos discursos, com ênfase em críticas à corrupção política e tentativa de reconexão com o eleitorado.

Nos pronunciamentos mais recentes, o presidente passou a adotar uma retórica que combina ataques a elites econômicas com críticas à chamada “promiscuidade” e ao “balcão de negócios” da política. A inflexão no discurso ocorre em um contexto que também tensiona sua própria trajetória dentro do sistema político brasileiro.

O reposicionamento vem acompanhado de medidas consideradas pragmáticas — e, em alguns casos, contraditórias em relação à agenda original do governo. Entre elas, estão a revisão de pautas identitárias, como a linguagem neutra, e iniciativas voltadas à redução de tributos para conter o preço dos combustíveis, tema que anteriormente era alvo de críticas do próprio presidente.

Dados recentes indicam o desafio enfrentado pelo governo. Segundo levantamento do instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, a desaprovação ao governo Lula atingiu 53,5%, enquanto a aprovação soma 45,9%. Apenas 0,6% dos entrevistados não souberam opinar. A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 23 de março de 2026, com 5.028 respondentes recrutados digitalmente pela metodologia Atlas RDR, margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04227/2026.

Inflexões e recuos indicam tentativa de recompor base eleitoral

As mudanças na postura do governo também incluem recuos em regras tributárias sobre produtos importados e ajustes na comunicação institucional. As iniciativas são vistas como tentativas de recompor apoio entre eleitores de renda média e baixa, especialmente impactados pela inflação e custo de vida — segmentos considerados estratégicos na disputa com a oposição conservadora.

Paralelamente, Lula tem buscado projetar uma imagem mais dinâmica e enérgica em aparições públicas. A estratégia tenta neutralizar narrativas adversárias que associam o presidente a desgastes políticos e comparações internacionais desfavoráveis.

Nos bastidores, a condução dessa reconfiguração de imagem é atribuída ao ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, que teria estruturado um roteiro com palavras-chave, gestos e diretrizes de comunicação. O objetivo é sustentar a imagem de um líder experiente, mas ainda capaz de simbolizar renovação em meio a um cenário eleitoral cada vez mais competitivo.

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