Juliano Melo diz que não vai recontratar servidores do Samu: “Hoje nós nem precisamos desses 56”

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Mal assumiu o cargo, o novo secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, afirmou nesta quarta-feira (1º) que não vai recontratar os 56 profissionais do Samu que tiveram os contratos encerrados em Mato Grosso. Ao comentar o caso, ele declarou que a saída não compromete o serviço. “Hoje nós nem precisamos desses 56”, disse.

A decisão ocorre após a Secretaria de Estado de Saúde não renovar os contratos de trabalhadores contratados que atuavam no atendimento de urgência. Em Cuiabá, a medida gerou protesto de servidores na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), com alerta para possível fechamento de bases e redução no atendimento também em Várzea Grande.

Ao todo, foram desligados 22 enfermeiros, 24 técnicos de enfermagem e 10 motoristas. Os profissionais atuavam diretamente nas equipes do Samu, responsáveis pelo primeiro atendimento em situações de urgência.

Durante o protesto, a condutora socorrista Jordy Luz afirmou que a saída dos trabalhadores amplia um problema que já existia na operação do serviço. “Só aqui de Cuiabá. Todas as 56, sendo 10 condutores socorristas, 22 de enfermagem e 24 técnicos de enfermagem”, declarou.

Segundo ela, o Samu já operava com déficit de profissionais antes do encerramento dos contratos. “Nós já estávamos com uma deficiência. Precisávamos de cinco condutores para rodar todas as bases. Só que agora são 15”, explicou.

Secretário descarta reposição

Juliano Melo afirmou que não haverá substituição imediata dos profissionais desligados. Segundo ele, os contratos chegaram ao fim dentro das regras legais e não garantem permanência automática no serviço público.

“Os contratos venceram”, declarou o secretário ao justificar a decisão da Secretaria de Estado de Saúde.

Ele também rebateu as críticas de que a medida pode afetar o atendimento do Samu em Cuiabá e Várzea Grande. Segundo Juliano, a atuação integrada com o Corpo de Bombeiros garante a continuidade do serviço.

O secretário ainda negou que haja transferência de atribuições para os Bombeiros. De acordo com ele, o que existe é um termo de cooperação entre as estruturas do governo.

Servidores apontam risco no atendimento

Apesar da posição do governo, servidores e representantes do sindicato mantêm o alerta para impacto direto na operação do Samu. A categoria afirma que a não reposição das equipes pode reduzir a cobertura e aumentar o tempo de resposta nas ocorrências.

Em mobilização realizada na ALMT, trabalhadores afirmaram que a saída dos profissionais pode levar ao fechamento de até 40% das bases em Cuiabá e Várzea Grande por falta de equipe mínima.

O presidente do sindicato, Carlos Mesquita, afirmou que a decisão ocorre sem reposição, mesmo com concurso vigente. Segundo ele, a redução de servidores já vinha acontecendo e pode comprometer a estrutura do serviço.

“Esse pessoal é quem faz o atendimento na casa das pessoas, quem chega primeiro em situações de urgência. Sem eles, não tem como manter essas bases abertas”, declarou.

Mesquita também apontou risco de fechamento de unidades em Várzea Grande. “Por exemplo, Várzea Grande poderá fechar a base do Cristo Rei e a base do Trevo do Lagarto. São as duas únicas bases que tem. Vai sobrar apenas uma avançada”, afirmou.

O secretário Gilberto Figueiredo, que ocupava o cargo anteriormente, também havia se manifestado sobre o caso e negado desmonte do serviço. Na ocasião, ele afirmou que contratos temporários não são permanentes. “Não é um cargo vitalício assegurado”, declarou.

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