Ex-governador que fez do impeachment sua bandeira agora tenta se viabilizar como aliado do Planalto ? e coloca a própria coerência no centro do debate eleitoral.
Foto Reprodução
Por Suzana Agnello
O mesmo Pedro Taques que, em 2015, foi o primeiro governador a defender publicamente o impeachment de Dilma Rousseff, hoje se reposiciona como peça do campo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva para 2026.
Ex-filiado ao PDT, depois ao PSDB — onde se declarou “soldado” contra o PT — Taques agora comanda o PSB em Mato Grosso, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, e articula candidatura ao Senado com apoio de lideranças alinhadas ao Planalto.
A mudança não é apenas partidária. É simbólica. Taques construiu parte de sua identidade política demarcando distância do petismo e reivindicando protagonismo no impeachment. Agora, surge como possível reforço do palanque lulista em um estado tradicionalmente conservador.
Nos últimos anos, o ex-governador também endureceu críticas ao bolsonarismo, ajustando o discurso ao novo cenário nacional. A movimentação é estratégica: Lula precisa ampliar alianças onde enfrenta resistência; Taques precisa de estrutura e viabilidade eleitoral para retornar ao jogo.
O ponto sensível não é a possibilidade de mudança — algo comum na política —, mas a velocidade e a profundidade da guinada. O eleitor mato-grossense assistirá a um teste de memória e coerência: trata-se de evolução política ou reposicionamento conveniente?
Entre o passado de antagonismo ao PT e o presente de aproximação com o Planalto, Taques aposta que a polarização atual falará mais alto que os arquivos de ontem. Em 2026, o desafio não será apenas eleitoral — será narrativo.



