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Por Redação
Um escândalo envolvendo o deputado federal Eduardo Velloso (UNIÃO-AC) abala a política do Acre. Uma emenda parlamentar destinada a eventos culturais em Sena Madureira, cidade com 41 mil habitantes, foi parar nos cofres do hospital oftalmológico pertencente ao pai do deputado, levantando sérias suspeitas de desvio de dinheiro público.
A manobra, revelada em 14 de janeiro pelo jornal O Globo, expôs um esquema no qual a verba foi repassada ao Instituto Brasil-Amazônia de Serviços Especializados e Saúde (Inbases), que, por sua vez, subcontratou o Hospital Oftalmológico do Acre, clínica privada da família Velloso. Registros da Receita Federal mostram que o deputado já figurou como sócio da clínica em diferentes períodos, o que agrava ainda mais a situação.Uma auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) constatou que o hospital inflacionou os preços de cirurgias pagas com recursos públicos. Procedimentos como cirurgias de hérnia umbilical foram faturados a R$ 8.092,15, valor 1.826,98% superior à tabela do SUS (Sistema Único de Saúde), que prevê R$ 419,94 para o mesmo procedimento.
Outras intervenções, como histerectomia e colecistectomia, também apresentaram valores até oito vezes maiores do que os praticados pelo sistema público. Histerectomias foram cobradas a R$ 8.561,26 (contra R$ 907,93 na tabela do SUS) e colecistectomias a R$ 7.974,87 (ante R$ 996,34).Questionado sobre o caso, o deputado Eduardo Velloso transferiu a responsabilidade para a prefeitura, alegando que a decisão de destinar a emenda ao hospital do pai foi do município. No entanto, a prefeitura, a ONG e o hospital não se manifestaram sobre o ocorrido.
O que são as Emendas Pix?As emendas Pix, criadas em 2019, ganharam destaque no cenário político por permitirem que parlamentares destinem recursos diretamente para as contas de prefeituras e estados, sem a necessidade de aval do governo. Essa agilidade, no entanto, abre brechas para desvios e irregularidades, como o caso em questão.O caso está sendo investigado por suspeita de associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na manhã de hoje (29/01/2026) em Rio Branco e Sena Madureira, no Acre, e em Brasília, no Distrito Federal. Os alvos são investigados pelos crimes de associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos acessórios.
Em nota, o deputado federal Eduardo Velloso afirmou que “sempre atuou com transparência, responsabilidade e respeito às instituições” e se colocou à disposição das autoridades. Segundo parlamentar, a destinação da emenda “seguiu rigorosamente os trâmites legais previstos na legislação vigente” e cabe à prefeitura fiscalizá-la.
“Após a transferência dos recursos ao município, a responsabilidade pela execução, contratação de serviços e fiscalização da aplicação do dinheiro público é exclusiva da gestão municipal, não cabendo ao deputado qualquer ingerência sobre esses procedimentos” – diz o texto.
O escândalo envolvendo o deputado Velloso reacende o debate sobre a fiscalização e a transparência no uso das emendas parlamentares, especialmente as emendas Pix, que, apesar de facilitarem a destinação de recursos, exigem um acompanhamento rigoroso para evitar desvios e garantir que o dinheiro público seja utilizado em benefício da população.



