Em discurso contundente, González exige libertação de presos políticos e apela às Forças Armadas por lealdade à Constituição.
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Por Redação
Em um momento de grande tensão política na Venezuela, Edmundo González, candidato da oposição, proferiu um discurso impactante no sábado, 3 de janeiro de 2026, declarando-se presidente interino do país. A declaração surge após a captura de Nicolás Maduro em Caracas, em uma operação militar liderada pelos EUA, marcando uma escalada dramática na crise venezuelana.
González iniciou seu pronunciamento enfatizando a legitimidade de sua posição, que, segundo ele, emana do “voto popular e do apoio de milhões de venezuelanos que anseiam por um país com paz, com instituições e com futuro”.
Em um apelo direto às Forças Armadas da Venezuela e aos corpos de segurança do Estado, González afirmou:
“Como presidente dos venezuelanos, faço um chamado sereno e claro à Força Armada Nacional e aos corpos de segurança do Estado: seu dever é cumprir e fazer cumprir o mandato soberano expresso em 28 de julho de 2024” – disse González.
Na sequência, declarou-se comandante em chefe e afirmou que a lealdade militar deve ser “com a Constituição, com o povo e com a República”.
Denúncia de fraude eleitoral
Ao mencionar a “vontade soberana expressa em 28 de julho”, González se refere à eleição presidencial venezuelana, amplamente considerada fraudada pela oposição, por diversos países e por organizações independentes. O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, controlado por um aliado de Maduro, declarou a reeleição do ditador com pouco mais de 51% dos votos. No entanto, a oposição insiste que González venceu com ampla margem, com base nas atas de votação disponíveis.
As denúncias de irregularidades incluem relatos de que testemunhas da oposição foram impedidas de acompanhar a apuração em diversas zonas eleitorais, e as atas desses locais não foram divulgadas, em flagrante descumprimento à lei venezuelana. Em contrapartida, nas regiões onde houve fiscalização independente, os registros apontaram para a vitória de González.
O atraso na divulgação do resultado oficial, atribuído pelo governo a um suposto ataque hacker, somado a relatos de intimidação, prisões políticas e restrições à imprensa e a observadores internacionais, reforçou as alegações de fraude no processo eleitoral.
Exigência de libertação de presos políticos
Na segunda parte de seu discurso, González reafirmou que a libertação imediata e incondicional de presos políticos, civis e militares, é uma condição indispensável para qualquer transição.
“Nenhuma transição democrática é possível enquanto haja um único venezuelano encarcerado de maneira injusta” – afirmou.
A captura de Maduro
As declarações de González ocorrem no dia seguinte à captura de Maduro em Caracas, durante uma operação militar liderada pelos EUA. A ação resultou na transferência de Maduro para custódia norte-americana, onde aguarda julgamento em Nova York. Maduro foi detido juntamente com sua mulher, Cilia Flores, e levado para um porta-aviões dos EUA antes de seguir para uma base aérea em território norte-americano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, justificou a captura como parte de uma estratégia de “pressão máxima” contra o governo venezuelano, sob a alegação de que Maduro representaria uma ameaça à segurança nacional. O ditador venezuelano responde a acusações federais, como conspiração de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas, posse de armamento pesado, lavagem de dinheiro e corrupção, com base em denúncias do Departamento de Justiça dos EUA.



