O episódio que abalou a liberdade de imprensa no Brasil e gerou indignação entre entidades e parlamentares
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Por Suzana Agnello
Em um dia que ficará marcado na história da política brasileira, a Câmara dos Deputados presenciou cenas lamentáveis que colocam em xeque a liberdade de imprensa e os direitos fundamentais. O episódio começou com a retirada forçada de um deputado, em um procedimento realizado longe dos olhos da população. Jornalistas foram impedidos de registrar o momento, expulsos do plenário e das galerias por policiais legislativos, que bloquearam o acesso visual à intervenção. Apenas alguns deputados conseguiram transmitir imagens por meio de seus celulares, revelando a gravidade da situação.
A violência se intensificou no Salão Verde, onde repórteres aguardavam declarações. Agentes da polícia legislativa agiram de forma truculenta, agredindo fisicamente os profissionais da imprensa. A repórter Carolina Nogueira, do UOL, relatou ter sido pressionada no pescoço por um policial, enquanto outros jornalistas também sofreram agressões.
Entidades representativas da imprensa, como Fenaj, SJPDF, Abraji e ANJ, emitiram notas de repúdio, criticando a expulsão da imprensa e as agressões. Classificaram o episódio como incompatível com a liberdade de imprensa e exigiram a apuração das responsabilidades.
A Câmara dos Deputados foi questionada sobre quem ordenou o fechamento do plenário à imprensa. A assessoria do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não respondeu, mas nas redes sociais, Motta afirmou ter solicitado investigação sobre “possíveis excessos”, alegando que sua obrigação é proteger o Parlamento.
Parlamentares de esquerda denunciaram as agressões e registraram boletins de ocorrência. O deputado Zé Guimarães (PT-CE) questionou a postura da polícia, enquanto Lindbergh Farias (PT-RJ) condenou a condução da Casa. Em contraste, a oposição celebrou a retirada do deputado Glauber, com Nikolas Ferreira (PL-MG) e Kim Kataguiri (União-SP) expressando satisfação pela situação.



