Foto: Reprodução
POR ANDERSON ALEXANDRE
Uma proposta de ampliação da Estação Ecológica de Taiamã, no Pantanal, está gerando forte resistência de um amplo espectro de instituições de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Sindicatos, órgãos públicos, empresas e associações ambientais e econômicas apontam para uma série de falhas técnicas, socioeconômicas e procedimentais, além de graves conflitos com iniciativas privadas já em curso. O Senador José Lacerda tem sido acionado para intervir e impedir que a proposta avance.Entre as entidades que manifestaram oposição estão o SINDICATO RURAL DE CÁCERES, a CÂMARA MUNICIPAL DE CÁCERES, a PREFEITURA DE CÁCERES, a FAMATO (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso) e a ACRIMAT (Associação dos Criadores de Mato Grosso). A preocupação central reside no risco à navegabilidade do Rio Paraguai. A ampliação da área de proteção integral, com a consequente proibição de dragagem, poderia inviabilizar terminais de carga importantes em Cáceres, como os operados pela GPG-SERVIÇOS PORTUÁRIOS, CIA.DE INVESTIMENTO DO CENTRO OESTE, AGROPECUÁRIA SELLE LTDA., AGROPECUÁRIA PANTANAL NORTE LTDA e a ADMINISTRADORA DA ZPE/MT – AZPEC. Essa inviabilização afetaria o escoamento da produção e a competitividade da região, além de gerar insegurança jurídica para proprietários de terras que aguardam indenizações. O SINDICATO DOS AQUAVIÁRIOS DE CORUMBÁ E LADÁRIO/MS também se junta ao coro de preocupados com os impactos na hidrovia.Adicionalmente, a proposta entra em choque direto com um projeto de crédito de carbono (REDD+ Carbonflor) já aprovado e com certificação internacional, que garante a preservação de parte da área por 40 anos. A imposição de uma unidade de conservação federal sobre essa área já protegida por mecanismos privados geraria um conflito jurídico e poderia comprometer os compromissos ambientais do Brasil no mercado global de carbono. Estima-se que a União poderia enfrentar responsabilidades civis bilionárias para indenizar não apenas a terra, mas também os fluxos financeiros futuros dos créditos de carbono.Críticos também apontam para a gestão atual da Estação Ecológica de Taiamã, que já enfrenta dificuldades com incêndios frequentes e o não cumprimento de planos de combate ao fogo. A ampliação de uma área que já apresenta desafios de manejo é vista como pouco justificável.Estudos técnicos apresentados pelo ICMBio também são questionados por supostas falhas, como o uso de dados desatualizados e delimitações arbitrárias, sem uma avaliação econômica completa dos impactos.Diante deste cenário, um apelo foi feito ao Senador José Lacerda, solicitando sua atuação política para impedir a aprovação da proposta. A demanda é por uma abordagem mais colaborativa para a conservação do Pantanal, que respeite as realidades econômicas e reconheça as iniciativas de preservação já existentes.



