Setor produtivo de Cáceres questiona modelo de ampliação da Reserva Ecológica Taiamã

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Foto: Alê Bastos

POR ANDERSON ALEXANDRE

Representantes dos governos estadual e municipal, líderes sindicais e produtores rurais formalizaram em Brasília sua forte contrariedade à proposta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) de ampliar a Estação Ecológica Taiamã, localizada no Rio Paraguai, em Cáceres. O projeto visa aumentar a área de 11.200 para 68.118 hectares.

Em reunião realizada na tarde de quinta-feira (30/10), o grupo apresentou sua pauta ao senador Zezinho Lacerda e ao ministro interino do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Irajá Lacerda, alegando que a expansão é prejudicial ao desenvolvimento regional.

O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, que participou por videoconferência dos EUA, foi categórico na crítica à política ambiental: “Temos que acabar com essa maluquice de criar e de ampliar reservas. O ICMBio tem é que cuidar das que já existem e não atrapalhar o desenvolvimento”.

Os opositores argumentam que a proposta, embora alegue salvaguarda ecológica, impactará diretamente a navegação no Rio Paraguai, essencial para a operacionalidade da recém-inaugurada Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres. Miranda reforçou a posição: “Proibir a navegação pelo rio Paraguai é um crime de lesa-pátria; temos que desenvolver este país. (…) não podemos compartilhar com essa invenção de aumentar uma reserva abandonada”.

Apesar de não serem contra a conservação, os participantes foram unânimes em divergir do modelo, citando a segurança jurídica. O Engenheiro José Carlos Miranda de Andrade, responsável técnico pelo Porto Barranco Vermelho, destacou que empreendimentos licenciados, como os Terminais de Uso Privado (TUPs) e a ZPE, já se adequaram à legislação, e os EVTEAs demonstram a compatibilidade entre desenvolvimento e preservação.

O senador Zezinho Lacerda e o ministro Irajá Lacerda se comprometeram a buscar uma solução viável. O ministro sugeriu ampliar as discussões com outros ministérios (Pesca, Defesa e Meio Ambiente), defendendo que o foco deve ser consolidar as reservas existentes, em vez de criar novas áreas sem recursos para manutenção e que interfiram na economia local.

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