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POR ANDERSON ALEXANDRE
Nos últimos anos, o Comando Vermelho (CV) transformou sua atuação, diversificando suas atividades ilícitas além do tráfico de cocaína, que era sua principal fonte de lucro na década de 1980. Atualmente, a organização se dedica a diversas práticas criminosas, incluindo contrabando de cigarros e comércio ilegal de ouro e madeira. Contudo, o que realmente se destaca é o sistema de extorsão direta sobre os moradores em áreas sob seu controle.Roberto Uchôa, ex-policial federal e pesquisador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, explica que esse modelo de extorsão se sustenta em cobranças por “segurança”, taxas sobre ligações clandestinas de energia e um controle rigoroso sobre o comércio local. Uchôa observa que essas práticas se intensificaram no início dos anos 2000, coincidentemente com a expansão das milícias, que também exploravam as comunidades para financiar suas atividades.A dinâmica entre tráfico e milícias passou por uma inversão significativa. Anteriormente, as milícias se inspiravam nas táticas dos traficantes; hoje, muitos grupos ligados ao tráfico adotaram o modelo de arrecadação das milícias, que oferece menor risco e maior previsibilidade. A influência do CV, segundo Uchôa, agora deriva mais do controle territorial do que do comércio de drogas.”Essas ações garantem ao CV o que ele tem de mais valioso: o controle do território. Em áreas dominadas, tudo precisa de autorização — da compra de gás e internet ao funcionamento de transportes e até campanhas políticas”, conclui Uchôa.



